Férias escolares: estudo ou lazer?

12 de Julho, 2023por Clissol
As férias escolares constituem uma época muito aguardada, tanto pelas crianças e adolescentes, como pelos seus pais – o ritmo abranda, a rotina é mais flexível e as responsabilidades diminuem. Mas nem tudo é um mar de rosas… Muitas vezes, ao fim de apenas uns dias, temos crianças e adolescentes entediados e frustrados por não terem como se ocupar e pais desesperados por não saberem como ajudar. De facto, depois de um ano letivo preenchido e repleto da azáfama habitual de aulas, trabalhos e avaliações, 3 meses de férias vislumbram-se como um sonho que rapidamente se pode transformar num pesadelo de tédio e aborrecimento. Mas, não desespere, estamos aqui para ajudar!

Ocupação de tempo nas férias de crianças e adolescentes.

As férias são, por definição, um tempo de pausa devoto ao descanso, mas se é importante que existam momentos de nada fazer, é ainda mais importante que as crianças e adolescentes tenham atividades que lhes ocupem o tempo e sejam alvo de lazer e diversão, dado o longo período de férias que têm. Por outro lado, é fundamental adotar um ritmo equilibrado e manter em memória as principais aprendizagens do ano letivo, fazendo algumas fichas práticas ou exercícios das principais disciplinas, de forma a facilitar, também, o início do novo ano letivo.

Nesta pausa letiva, muitos pais encontram nos telemóveis um difícil inimigo, uma vez que, com tanto tempo livre e na ausência de atividades, a tendência de uma boa parte das crianças e adolescentes será a de ficarem agarrados aos ecrãs, particularmente ao telemóvel, num scroll infinito ou binge watch de séries. É habitual sermos questionadas sobre como contornar este problema. Em primeiro lugar, é sempre importante definir limites de tempo de uso diário e até os momentos do dia em que a criança ou adolescente poderá usar o telemóvel ou outros dispositivos. Estes limites são cruciais e são mais importantes quanto mais novas forem as crianças (no caso de crianças com menos de 1 ano, a Organização Mundial da Saúde desaconselha, mesmo, qualquer uso ou exposição a ecrãs).
Nesta altura do ano, tal como nas restantes, é, ainda, essencial verificar e supervisonar os conteúdos acedidos pelas crianças, assim como as recomendações etárias dos jogos com que se entretêm. Tornar-se-á mais fácil limitar o uso do telemóvel se o dia da criança for complementado com atividades enriquecedoras e que sejam do seu interesse, pelo que a programação de atividades é essencial.

Para que isto suceda da melhor forma, é importante decidir com alguma antecedência se optará ou não pela escolha de um programa de atividades de tempos livres (ATL). Se a resposta for afirmativa, as opções são inúmeras e os custos associados podem variar significativamente, algo que terá de considerar. As opções habitualmente mais económicas são aquelas cuja responsabilidade é dos municípios e juntas de freguesia, ainda que as vagas sejam limitadas e possam esgotar rapidamente. Algo a considerar também é a faixa etária dos programas, já que, por exemplo, a oferta para adolescentes é, geralmente, menor. Se optar por deixar o seu filho na casa de um amigo ou familiar, pode ser importante programar atempadamente as atividades a realizar no período de férias. Se não pensou nisto antes, não se preocupe, abaixo deixamos alguns conselhos que podem ajudar!

Uma dica importante na hora de definir as atividades é, em primeiro lugar, respeitar os interesses do seu filho. Nada adianta preenchermos o horário de uma criança ou adolescente com atividades que não correspondem minimamente aos seus interesses. Além de aborrecido, ficará frustrado, já que as férias são, afinal, um suplício. O ideal será decidirem as atividades em conjunto e encontrarem um equilíbrio entre aquilo que é possível (economicamente, por exemplo) e aquilo que é do interesse do seu filho.

Procurem optar por atividades lúdico-pedagógicas que conciliem o lazer com o treino de competências (cognitivas, sociais, pessoais), sem nunca esquecer a prática desportiva, tão importante para o bem-estar físico. O raciocínio lógico pode ser incrementado através de diversos jogos, como quebra-cabeças e sudoku. A memória e atenção podem ser treinadas com os conhecidos (e muito divertidos) jogos da memória, diferenças, reprodução e/ou seleção de padrões, realização de labirintos, entre outros. Estas atividades permitem, ainda, aprimorar as competências visuo-espaciais das crianças. Também as famosas sopa de letras, palavras cruzadas, o jogo do stop ou a forca auxiliam na fluência verbal, aumento de vocabulário e treino atencional. Jogos da glória, cartas, 4 em linha, ou outros até mais simples estimulam sempre a compreensão da estratégia do jogo, o seguimento das regras, a atenção e a memória e a interação com outros jogadores. Além de incrivelmente divertidas, as atividades descritas permitem, potenciar capacidades cognitivas que são necessárias para uma melhor e mais fácil aprendizagem escolar. Por outro lado, jogos em grupos ou que envolvam a comunicação com os pares, como a mímica ou jogos cooperativos (desenho às cegas, conta uma história, piloto e avião, etc.), possibilitam a socialização e o exercício de competências sociais como a resolução de conflitos, a gestão emocional e a assertividade. Estas competências são a base para que crianças e adolescentes estabeleçam uma rede de suporte segura, um fator protetor da saúde psicológica e do desenvolvimento. Desta forma, o período de férias pode ser uma excelente oportunidade para reforçar competências que são tranversais aos vários contextos de vida e essenciais para o futuro do seu filho.

As férias escolares encerram ainda uma outra potencialidade: poderem ser aproveitadas para estimular a curiosidade, o brincar e, até, novos hobbies. Fazer voluntariado, aprender uma nova língua, um novo estilo de dança, a tocar um instrumento ou, até, a praticar mindfulness, são algumas sugestões que deixamos.

Promover o autoconhecimento e a exploração dos interesses do seu filho também é uma excelente ideia. Neste sentido, o seu filho poderá experimentar, conhecer e aprofundar os seus gostos e passatempos preferidos. No caso de crianças mais velhas e adolescentes, experienciar atividades relacionadas com profissões distintas poderá auxiliar na definição de interesses e opções académicas futuras. Existem, até, ofertas de programas de verão de universidades que promovem a descoberta de vários cursos.

Aconselhamos ainda a, neste período, desfrutar de mais momentos e tempo de qualidade em família, para promover o fortalecimento dos laços, a coesão familiar e, claro, a criação de boas memórias! A evidência científica mostra que as interações divertidas entre pais e filhos têm um impacto positivo no desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças. Pequenas atividades como apanhar conchas à beira-mar, fazer um piquenique, visitar uma cidade perto de casa poderão ser suficientes.

Aconselhamos ainda a, neste período, desfrutar de mais momentos e tempo de qualidade em família, para promover o fortalecimento dos laços, a coesão familiar e, claro, a criação de boas memórias! A evidência científica mostra que as interações divertidas entre pais e filhos têm um impacto positivo no desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças. Pequenas atividades como apanhar conchas à beira-mar, fazer um piquenique, visitar uma cidade perto de casa poderão ser suficientes.

“Por último, importa realçar que as aulas consomem hoje mais horas nas semanas dos estudantes do que há uns anos atrás, pelo que as férias devem ser aproveitadas para descansar e recuperar energias e para experimentar outras atividades para as quais não há oportunidade durante o período letivo. Ainda assim, é fundamental não passar do “8 para o 80”, mas sim adotar um meio termo, um ritmo ótimo para descansar e permitir uma readaptação adequada ao final das férias, com a retoma do novo ano letivo.”

Boas férias! Divirtam-se!

Autoria: Márcia Costa – Psicóloga na Clissol