À entrada no Clissol, Centro Médico e Terapêutico, cruzamo-nos de imediato com Sophie Matias, responsável pelo espaço, numa animada conversa com um utente após uma sessão de terapia. A alegria de ambos não deixa margem para dúvidas: aqui a mudança acontece passo a passo, numa abordagem multidisciplinar, em áreas como Psicologia, Terapia da Fala e Terapia Ocupacional, lado a lado com profissionais de excelência que têm em comum a paixão por aquilo que fazem…
Um espaço para todos
Sophie afirma com um sorriso que o utente mais jovem tem 11 meses e o mais idoso 99 anos. Um pequeno exemplo que demonstra a abrangência do Clissol, que através da Psicologia trabalha diariamente o bem-estar físico e emocional de crianças e adultos e faz da Terapia Ocupacional um motor para o desenvolvimento da consciência corporal, motricidade e atividades da vida diária destas pessoas. Um papel fundamental tem também a Terapia da Fala, ao desenvolver a linguagem, a fala e a sensibilidade intraoral e o paladar, num trabalho atento, próximo, experiente e qualificado onde os resultados são visíveis a cada nova sessão.
Acompanhamento à distância
Mesmo em período de confinamento obrigatório, o Clissol não interrompeu a sua atividade. “Como temos pessoas de todas as idades, antes de mais era necessário adaptarmo-nos a todas as realidades. A par das sessões online, trabalhámos também por telefone, mas o essencial foi manter sempre este contacto próximo. Hoje olho para o registo de sessões e, ao perceber a evolução dos utentes, entendo que foi crucial este acompanhamento à distância”, revela Sophie. A terapeuta da fala é perentória ao afirmar que as tecnologias têm assumido um papel de heroínas e de vilãs. Por um lado heroínas, porque permitiram a continuidade das terapias e da escola em modo online e possibilitaram o contacto entre as pessoas, por outro, vilãs ao proporcionarem a perda de competências adquiridas antes da pandemia.
Tecnologia em tempo de pandemia: heroína, ou vilã?
A substituição da interação física com as outras crianças e o meio ambiente, pela tecnologia, provoca insegurança, dificuldades na autorregulação, isolamento, dificuldades na socialização, desconstrução do vínculo afetivo entre membros da família, défice de atenção, dificuldades no desenvolvimento cognitivo, nomeadamente raciocínio e criatividade. Todas estas limitações interferem no desempenho escolar:”, explica Sophie Matias e acrescenta: “os ecrãs promovem um desequilíbrio sensorial bastante acentuado, se por um lado os sistemas visual e auditivo estão em sobrecarga, por outro os sistemas vestibular, propriocetivo e tátil estão pouco estimulados, o que leva a grandes problemas no desenvolvimento neurológico e sensorial.
“A substituição da interação física com as outras crianças e o meio ambiente, pela tecnologia, provoca insegurança, dificuldades na autorregulação, isolamento, dificuldades na socialização, desconstrução do vínculo afetivo entre membros da família, défice de atenção, dificuldades no desenvolvimento cognitivo.”


